A busca de todo ser humano, por Sean Penn!

30 Julho, 2008 por

 

 

     Primeiramente, cabe ressaltar que este é um filme que mexe muito com sentimentos um pouco adormecidos em mim, e, por isso, sou um pouco suspeito para falar sobre ele.

     Esta é uma obra pessoal de Sean Penn, que, além de diretor, é produtor e roteirista. Baseado em fatos reais, o filme conta a história de Christopher MacCandless, que, logo após se formar na Universidade, larga a sua promissora carreira e sai em busca de aventuras pela natureza. Trata-se de um projeto um pouco arriscado, pois tinha tudo para ser um trabalho fraco. Contudo, a coragem e qualidade de Sean Penn transformou esta história em um dos filmes mais mágicos do ano.

     É verdade que o roteiro apresenta falhas ao ser um pouco confuso e não-cronológico, mas isso não tira o mérito de um ritmo muito instigante e cativante. Além disso, a direção deixa a desejar em alguns aspectos por falta de proximidade a respeito das cenas, mais precisamente na fase edição. Fora isso, a caracterização dos personagens é incrível, apesar do pouco tempo em que eles se apresentam ao espectador, dando um sentido, ou não, à aventura que o ator principal, Emile Hirsch, se propõe a realizar.

     Uma aventura/drama que se propõe a uma reflexão intensa em uma busca do eterno sentido da vida. Este é o tema de um filme que, apesar de não ser uma grande obra, possui uma mensagem incrivelmente profunda sobre o que buscamos ser na sociedade atual.

     Impossível não salientar o toque especial da trilha sonora original de Eddie Vedder, vocalista da banda Pearl Jam, que dá um clima “roots” ao filme, de acordo com as palavras de um grande amigo meu. Sugiro que escutem o álbum da trilha do fime, que contém músicas de alta qualidade e um tanto viciantes. Ademais, a fotografia é magnífica e dá um acréscimo natural à película, um dos fatores mais esplêndidos da obra.

     Pessoalmente, destaco o elenco, que, com trabalhos consistentes, contribuiu de forma sincrônica para o desenvolvimento da história. Dou um enfoque maior à atuação de Hal Holbrook, que lhe rendeu uma indicação ao Oscar de melhor ator coadjuvante, primorosa em seus poucos minutos de aparição.

     O cinema necessita de projetos pessoais como o de Sean Penn, fato este que me faz acreditar que a originalidade e genialidade de cineastas ainda existem e podem fazer com que a cultura “Holywoodiana” seja acrescentada por obras de extremo conteúdo.

     Vida, família, existência, sociedade, amizade, liberdade, reflexão, fazem desse filme uma experiência inesquecível.

     “A felicidade só é verdadeira quando compartilhada!”

     “O importante não é, necessariamente, ser forte, mas sentir-se forte!”

     Avaliação: 8


Ficha Técnica:

Na Natureza Selvagem (Into The Wild, 2007)
Direção:
Sean Penn
Roteiro: Sean Penn
Elenco: Emile Hirsch, Marcia Gay Harden, William Hurt, Jena Malone, Catherine Keener, Vince Vaughn, Hal Holbrook, …
Duração: 140 minutos
Trilha sonora: Michael Brook, Kaki King e Eddie Vedder
Distribuição: Paramount
Orçamento: US$ 15 milhões
Site oficial: http://www.intothewild.com

Bambi (1942)

25 Março, 2012 por

Bambi, em suma, trata-se de uma ode aos animais e ao amor, com todos os recursos para que se possa defendê-la, inclusiva uma crítica notável à ignorância do ser humano.

Embora seja de 1942, interessante como o tema da caça à fauna mantém-se atual. Sinal de que o ser humano, em inúmeras situações, é inerte (pra não ser mais ríspido) quanto à evolução de certas posturas. Justamente por um tema pautado na moral (de que o homem é um ser destrutivo), o filme acaba por ser um tanto forte, psicologicamente, para crianças. Entretanto, a meu ver, não deixa de ser essencial à formação de uma pessoa. Discordo, portanto, de posições que defendem o desenho animado como meio de pura diversão, sem qualquer conteúdo significativo.  E esse trabalho é, apesar de negativista, sincero e realista.

Não vem a ser um dos melhores trabalhos de animação, porém tem seu charme, conteúdo e importância na história do cinema animado, sendo uma obra pioneira que, inegavelmente, inspirou alguns clássicos do desenho que viriam posteriormente, tais como Rei Leão.

Avaliação: 6,5

The Ides of March

2 Janeiro, 2012 por

Antes de mais nada, prometo que tentarei assistir e fazer um breve intensivo sobre os futuros candidatos ao Oscar desse ano que acaba de chegar, ainda que a academia possivelmente seja um reflexo do teor do filme que vos criticarei.

Não se sabe exatamente os motivos que fizeram George Clooney e os demais roteiristas (Grant Heslov e Beau Willimon, esse último autor da peça teatral) a criarem essa história sobre os bastidores da política norte-americana, mas me parece que soa como algo já batido, embora possa parecer chocante ao próprio povo yankee. Todavia, uma coisa é bastante clara: do material que se tinha em mãos, o resultado foi o melhor possível.

Um filme regular, extremamente bem realizado, com um elenco de primeiríssima qualidade, integrando os excelentes filmes “conservadores” que aos montes lotam as nossas locadoras. Conservador eu quero dizer ao estilo “clássico”, e sem novidades para uma película de ponta, ou melhor dizendo, ao velho estilo sensacionalista.

George Clooney tem acertado a mão e se tornado um dos mais influentes membros do cinema atual, porém isso não é o suficiente para marcar o seu nome no rol dos grandes mestres do sétima arte. O que o público quer, ou pelo menos cinéfilos como eu, são trabalhos recheados de originalidade, coisa bastante escassa nos dias de hoje.

Outra situação digna de se notar é a qualidade de Ryan Gosling, que tende a ser o novo Leonardo Di Caprio da telas, eis que esse já é uma realidade, integrando a lista dos melhores atores da história, no nível de nomes como De Niro e comparsas.

Por fim, não assisti a quase nenhum dos candidatos que irão permear o grande prêmio do Oscar, contudo arriscaria a dizer que essa obra está descartada de quaisquer chances.

Um filme excelente, dentro dos padrões conservadores do cinema norte-americano.

Avaliação: 7,5

O cinema atual!

23 Janeiro, 2011 por

Nunca fui muito fá de filmes de ficção científica. Mas Inception nada mais é do que o ápice do que se pode considerar cinema! Cinema na sua arte intrínseca de espetáculo puro. Assistir a esse inimaginável filme de Christopher Nolan – que confabulou sobre o roteiro por intermináveis 10 anos – é uma experiência única. Sou fã de cinema e costumo ir bastante às grandes salas, contudo, é nessa “doideira psicológica” que eu tive a maior sensação de êxtase jamais vivenciada por mim na grande tela. Ao vê-lo pela segunda vez comentei com um camarada, segundos antes de começar a sessão: “te prepara pra uma das coisas mais sensacionais que tu já assistiu. Se puder, respira fundo, porque será a única vez em duas horas e meia de filme.” Fato!

Surpreende-me o fato de o cinema estar acompanhando tendências atuais. Isso pode ser verificado pelo fato de os grandes filmes de destaque do ano serem Inception e The Social Network. Esse último angariando todos os prêmios por onde passa, para deleite da quase unanimidade de críticos profissionais e amadores. Particularmente, não me agradou tanto assim. Talvez por não ser apreciador de filmes corridos, ao estilo The Godfellas. Mas a questão é que, sem dúvidas, é uma obra-prima contemporânea. Direção e roteiro, acompanhados de uma trilha sonora extremamente cult e simplesmente perfeita para cada cena demonstrada, dá um charme único a essa história real cujo resultado é usufruído por todos nós no dia-a-dia, através da ferramenta social chamada The Facebook (ou melhor, nas palavras de Sean Parker: “just Facebook”).

Espero, sinceramente, que no Festival da entrega do Oscar, Inception ao menos saia vencedor com a estatueta de filme (o que eu acho dificílimo, pelas tendências da Academia), direção (o que a meu ver é merecida), roteiro (idem), ou trilha sonora (feita pelo mestre Hans Zimmer). Contudo, se The Social Network levá-las, não ficarei decepcionado, ainda que um pouco descontente. Mas gosto é gosto, e não se discute, desde que estejamos falando de obras tecnicamente igualáveis, o que é o caso.

Que o Oscar não faça injustiças totais como fez no ano passado, ao não reconhecer Bastardos Inglórios como o melhor filme do ano!

Avaliações:

Inception – 9,5
The Social Network – 8,5

A Origem (Inception, 2010)
Produção:
Christopher Nolan, Emma Thomas
Direção: Christopher Nolan
Roteiro:  Christopher Nolan
Elenco: Leonardo DiCaprio, Ellen Page, Ken Watanabe, Michael Caine, Cillian Murphy, Joseph Gordon-Levitt, Marion Cotillard, Tom Hardy, …
Trilha Sonora: Hans Zimmer
Duração: 148 minutos
Orçamento: US$ 160 milhões
Distribuidora: Warner Bros.
Site Oficial: http://wwws.br.warnerbros.com/inception/mainsite/

A Rede Social (The Social Network, 2010)
Produção: Dana Brunetti, Ceán Chaffin, Michael De Luca e Scott Rudin
Direção: David Fincher
Roteiro: Aaron Sorkin, baseado em livro de Ben Mezrich
Elenco: Jessé Eisenberg, Andrew Garfield, Justin Timberlake, …
Trilha Sonora: Trent Reznor
Duração: 121 minutos
Orçamento: US$ 50 milhões
Distribuidora: Sony/Columbia Pictures
Site Oficial: http://www.thesocialnetwork-movie.com/

The Black Keys e Brothers: imprescindível pra quem gosta de boa música!

22 Janeiro, 2011 por

 

Depois de meses, estou de volta.

 

Narro-lhes a situação de um amor à primeira vista.

Certo dia – mais precisamente no dia 21 de janeiro de 2011 (sexta-feira) -, fuçando no site da Rolling Stone inglesa, cansado de escutar sempre as mesmas coisas, dentre elas Queens of The Stone Age, Radiohead, The Doors, e, nos últimos dias, Cage The Elephant (uma bandinha indie que parece querer copiar os passos/estilo do Arctic Monkeys, e que dá a sensação sonora de que tudo aquilo já fora escutado anteriormente – ainda que seja relativamente bom), encontrei a lista dos melhores discos lançados em 2010. Lá estavam bandas e discos já conhecidos da minha parte, quando me deparo com a segunda colocação: “This is an album by The Black Keys. The name of this album is Brothers”. (Até então, desculpem-me os que já haviam escutado e já sabiam da sua qualidade, a banda me era desconhecida)

Resolvi, então, investigar o porquê da segunda colocação.

E o que surge? Nada mais do que aqueles sons indecifráveis, principalmente com as limitações musicais de hoje em dia. Algo original. Um blues/rock feito apenas com uma guitarra e uma bateria. Simples, mas encorpado. Um pouco de Jimi Hendrix Experienced; um pouco de soul music; uma pitada de psicodelia; mas tudo dentro de um padrão compacto. Voz intuitiva, com sotaque e estilo, dá charme à guitarra e seu ritmo hiptonotizante, tocada à maneira dos grandes mestres, acompanhadas da bateria, que parece dançar no mesmo transe com uma leveza e naturalidade pouco vistas.

Confesso que não consegui fazer outra coisa (apesar da necessidade de fazê-la), no fatídico dia 21/01/2011, a não ser escutar e re-escutar várias vezes o disco com o queixo caído.

Extremamente complicado elencar as qualidades e as músicas mais interessantes, até porque ainda estou em fase de paixonite pelo álbum. Contudo, destaques para a inaugural “Everlasting Light” (escohida pela Rolling Stone como a 11ª melhor música do ano de 2010); “Next Girl”; “Tighten Up” (mais pop, acredito, mas não menos excelente); e todas as outras, sendo que essas mencionadas são as três primeiras. Ou seja, não tem nada ruim, pelo contrário, é tudo extremamente audível e de primeiríssima qualidade. Coisa rara!

O Wikipédia, na sua matéria sobre a banda, menciona a semelhança com White Stripes (pelo fato de ser uma dupla apenas de guitarra/bateria) e com Jimi Hendrix Experienced. Cita que músicos reconhecidos são fãs da dupla, tais como: Josh Homme (QotSA), Thom York e Jonny Greenwood (Radiohead), Kirk Hammet (Metallica), Matt Helders (Arctic Monkeys) e Liam Gallagher (Oasis).

Deixo, abaixo, alguns links para mais informações, caso a investida (mais do que certeira e aconselhada) lhes interessem:

- 30 melhores álbuns de 2010, Rolling Stone inglesa: http://www.rollingstone.com/music/lists/30-best-albums-of-2010-20101213/the-black-keys-brothers-19691231
- Crítica de David Fricke, Rolling Stone: http://www.rollingstone.com/music/albumreviews/brothers-20100517
- Wikipédia: http://en.wikipedia.org/wiki/The_Black_Keys
- Site Oficial: http://www.theblackkeys.com/ 

Escutar Brothers foi, pra mim, como ter encontrado aquela guria que sabes que é diferenciada e que pode mudar tua vida!

Nota: 10

 

Ficha técnica

The Black Keys – Brothers (2010)

Dan Auerbach (voz e guitarra) / Patrick Carney (bateria)

1 – Everlasting Light
2 – Next Girl
3 – Tighten Up
4 – Howlin’ For You
5 – She’s Long Gone
6 – Black Mud
7 – The Only One
8 – Too Afraid to Love You
9 – Ten Cent Pistol
10 – Sinister Kid
11 – The Go Getter
12 – I’m Not The One
13 – Unknown Brother
14 – Never Give You Up
15 – These Days

Os Subúrbios jamais serão os mesmos!

26 Agosto, 2010 por

 

 

Até uns meses atrás, de fato não conhecia quase nada sobre essa grandiosa banda Canadense. Conhecida por utilizar uma quantidade absurda de instrumentos em suas músicas, Arcade Fire surgiu-me quando estava farto de ouvir as mesmas bandas de sempre. E é com grande (imenso) prazer que descobri um dos melhores grupos da atualidade, ou pelo menos é o que o álbum Suburbs repassa aos ouvintes. Considerado por muitos críticos como o melhor disco da banda, o que é indiscutível, alguns sugerem semelhanças ao clássico imortal Ok Computer do Radiohead, o que a meu ver não vinga. Talvez em termos de importância para o universo musical e para o estopim da carreira do grupo, aí, sim, poderíamos fazer esse nível de análise.

Taxada, de forma generalizada, como um Indie Rock, Arcade Fire é muito mais trabalhado do que isso: encaixa-se mais como um Art Rock do que qualquer outra coisa. A mescla de estilos durante todo o repertório do disco é grande, desde músicas lights e muitíssimo bem instrumentalizadas, a eletrônicas à lá Killers e até mesmo ao Glam Rock do bizarro Scissor Sisters.

Não escreverei mais nada, eis que não estou com saco e também porque me faltam argumentos para falar sobre a banda e principalmente o disco. Fica aqui a dica de pesquisar detalhes sobre o grupo e, essencialmente, escutar esse fenomenal álbum, que é um tanto viciante aos ouvidos. Ainda há surpresas musicais no universo limitado do Rock atual, e o exemplo é Arcade Fire e seu Suburbs.

A década começa com um disco que ao final dela será considerado um dos melhores, sem dúvidas.

Avaliação: 9

Ficha Técnica:

Arcade Fire – The Suburbs (2010)

01 – The Suburbs
02 – Ready to Start
03 – Modern Man
04 – Rococo
05 – Empty Room
06 – City with No Children
07 – Half Light I
08 – Half Light II (No Celebration)
09 – Suburban War
10 – Month of May
11 – Wasted Hours
12 – Deep Blue
13 – We Used to Wait
14 – Sprawl I (Flatland)
15 – Sprawl II (Mountains Beyond Mountains)
16 – The Suburbs (Continued)

“Sunkmanitu Tanka Owaci”

18 Abril, 2010 por

Confesso que jamais havia assistido a esse filme, que é considerado, com todo o merecimento, um clássico da década de 90. Até então, perguntava-me o que haveria de tão especial numa história já batizada em tantos outros filmes, podendo até ser considerado um extremo clichê. Questionava-me, ainda, que não teria o cacife para derrotar Os Bons Companheiros e Poderoso Chefão III na disputa pelo Oscar. Ou seja, apesar do reconhecimento e do conselho de amigos para assisti-lo, continuava com o meu preconceito arrogante sobre a qualidade da obra. E foi aí que eu me enganei cegamente: Dança com Lobos é um filme a ser visto e revisto, com história e sentimentos sinceros e formidáveis a serem sopesados nos dias de hoje, onde perdemos nossa crença sobre os reais valores da vida diante do regime capitalista instituído pelo homem (o filme enfatiza muito bem isso, o que ironicamente já era previsto há muitos anos atrás, inclusive porque o filme se passa no século XIX). 

Um filme subestimado (ainda que erroneamente) por mim, superestimado por outros e digno de aplausos: uma grande experiência emocional e visual (aliás, para isso que servem os filmes).

Avaliação: 8,5

AC/DC!

22 Março, 2010 por

Inicialmente gostaria de agradecer o convite do grande amigo Gringo para escrever neste blog do qual sou leitor assíduo, não só pela amizade com quem o escreve, mas também pela qualidade com que ele é elaborado e pelo interesse nos temas tratados (a gente ainda vai fazer aquele curso de cinema!).

Dito isso, vamos ao que interessa.

Acredito que a expectativa por esse show começou para mim nos primeiros anos de faculdade quando, em um encontro com os amigos na casa do grande Biel, também colaborador deste blog, ele e o Gringo me mostraram o DVD do show da banda em Munique (Stiff Upper Lip Live). Até então eu conhecia pouco sobre o AC/DC e me surpreendeu a grandeza daquele show que tinha canhões ao fundo e sinos que desciam do nada. A partir daí passei a procurar mais material sobre a banda, sempre com ajuda dos amigos. Inevitavelmente, virei fã.

Depois disso ficou acertado: quando eles viessem ao Brasil (se eles viessem…), não poderíamos perder a oportunidade. Assim, quando foi confirmado que haveria o show em São Paulo, tudo foi arranjado para que pudéssemos comparecer. Fomos eu, Gringo, Biel e Lucas.

A entrada no Estádio Morumbi foi memorável. Após várias horas na fila, muitas delas com chuva forte (e o Biel dizendo que não queria capa de chuva), parecia uma conquista chegar à pista.

E após tanto sofrimento (nem tanto)…. mais sofrimento (de verdade!). O show do Nazi foi constrangedor. Só o gordão do meu lado sabia cantar as músicas dele, e os covers estavam lamentáveis. Foi até injusto com o pobre coitado, todo mundo esperando para o show de verdade começar. Nunca mais ele vai ter a oportunidade de cantar 75 mil pessoas. Pelos menos, assim espero!

Com o fim do suplício, veio a expectativa. E depois disso, a loucura. O vídeo feito para a abertura do show foi muito bem imaginado. Combina com o estilo da banda. No final, o telão se parte em duas partes, e de trás sai um trem esfumaçante, ao mesmo que a banda entra tocando Rock’n’Roll Train. Como bem salientado pelo Gringo, as primeiras músicas foram um “empurra-empurra”, resolvido logo após pela organização do evento.

O título do post veiculado pelo grande blogueiro anfitrião não poderia ser mais apropriado. “UM SHOW, DE VERDADE!” – toda música tocada pela banda tem um complemento visual. O trem que sai fumaça e que depois sai fogo! O sino que desce do teto com um vocalista sem noção pendurado! Uma boneca inflável gigante que surge montada no trem e que bate o pé de acordo com a batida da música! Canhões explodindo no final do show! Tudo é pensado para impressionar… e impressiona!

Porém o principal do show é a música, e nem poderia ser diferente. O set list merece poucos reparos, talvez uma ou outra música que faltou, o que é inevitável para uma banda com tantas músicas boas. A escolha foi por uma mescla de clássicos (Back in Black, Thunderstruck, The Jack, Let There Be Rock, For Those About To Rock, entre outros) e músicas do novo – e bom – álbum.

Deixando de lado as análises técnicas, até porque não me sinto apto para fazê-las, era de impressionar o impacto que o espetáculo causava nos espectadores, sendo que a incrível maioria era de marmanjos barbudos. Em alguns momentos olhava para o lado e via os amigos inertes, de boca aberta. Era quase como hipnose, principalmente durante os solos de guitarra de Angus Young (alguns de quase vinte minutos e em cima de plataformas suspensas!). A propósito, é incrível como os velhinhos ainda agüentam fazer tudo aquilo. Eu, com meus 23 anos, acabei o show exausto, com a garganta doendo da gritaria.

Disso tudo, fica a certeza de que participamos de um evento único, inigualável. A afirmativa é até um pouco melancólica, uma vez que é extremamente improvável que o AC/DC retorne ao Brasil. Mas com certeza é melhor lembrar como foi do que imaginar como seria.

For Those About To Rock… We Salute You!

Avaliação: 10

AC/DC: um show, de verdade!

11 Março, 2010 por

Antes tarde do que nunca, posto aqui palavras sobre o show histórico da banda australiana do mais puro Rock’n Roll:

Que a grande maioria dos fanáticos pela banda (inclusive nós) já cansaram de ver e rever vídeos de shows passados, isso é fato. Porém, assistir ao vivo à performance dos australianos são outros “quinhentos”. Um espetáculo aguardado durante uma adolescência inteira, e que veio pra ficar cicatrizado na memória de todos os que presenciaram a uma noite de puro deleite aos olhos e ouvidos diversos. Um show para os Deuses do Rock e para os malucos aficcionados pelo puro e bom Rock`n Roll que somente o Ac/Dc consegue imprimir. Diria que inenarrável em grande parte do sentimento que toma conta durante o espetáculo. Contudo, tentarei demonstrar através das minhas humildes palavras os fatores que fazem, e fizeram, desse show algo memorável. Mesclarei fatos pessoais pré-show como aspectos ténicos.

A apreensão gerada pelo grande show proporcionou-me uma noite mal dormida, o que prejudicou ainda mais foi a questão do voo ser cedo pra caralho. A caoticidade de São Paulo, cidade escrota, por sinal, foi contribuindo para que o show fosse ainda mais merecido. Ao decirmos ir ao Morumbi às 15 horas, diante de um sol escandante e de uma esperada entrada cedo nos portões do inferno, acabou se tornando uma indiada: fila gigantesca de baixo de um sol e uma umidade que São Paulo trazia. O pior foi que a chuva, mas chuva mesmo, resolveu mesclar o tempo. A teimosia por não comprar as singelas capas de chuvas, que mais pareciam plásticos de camisas vendidas por camelôs, não venceu a friaca e o medo de molhar os bolsos, mais precisamente os ingressos. Por final, a desorganização e abertura dos portões tardiamente só veio a fazer com que o pessoal ficasse ainda mais indignado e raivoso à espera do espetáculo.

Com relação à abertura do show, eu simplesmente não sei ainda o que Nazi estava fazendo lá. Covers ridiculamente interpretados pelo péssimo vocalista que ele é. Nem mesmo Andreas Kisser, um dos grandes nomes da guitarra metaleira, foi capaz de evitar a desgraça. Fadado à derrota desde a confirmação de que abriria o show, Nazi – que esteve diante da chance de sua vida como músico – não fez por merecer em nada, representando o ponto mais baixo, e diria também patético, do espetáculo como um todo. Desastre!

Minutos depois, quando o palco se iluminou com um vídeo no telão principal e nos outros dois laterais, a galera veio a baixo. Um desenho bem ao estilo AC/DC: Rock’n Roll, mulheres gostosas e um trem (sim, afinal o último disco e a turnê representam Black Ice e o Rock’n Rol Train). O entusiasmo do pessoal foi tanto que ficou difícil acompanhar o curta. Quando a banda entrou, ao término do vídeo (disponível em suas milhares de filmagens pelo Youtube), o empurra-empurra foi ainda maior, sendo impossível desfrutar da maneira adequada as primeiras 3 músicas, entre elas Rock’n Roll Train, Hell Ain’t a Bad Place To be e a clássica Back in Black. Por um momento acreditei que o esmagamento continuaria inevitável e a apreciação do espetáculo ficasse comprometida. Foi aí que…

Devido à intervenção magistral dos seguranças, a baderna de paulistas – que em sua grande maioria não sei o porquê estavam no show (eis o desconhecimento quase que absoluto do repertório da banda) – acalmou-se e foi aí que o espetáculo começou, pelo menos para nós. A partir de então o deleite foi sensacional.

Deixo meus comentários em aberto para que o novo colaborador do blog, Caetano Bertolucci, venha a nos presentear com os complementos necessários, em uma dupla crítica.

Avaliação: 10

Avatar!

9 Fevereiro, 2010 por

Avatar! O que falar sobre esse fenômeno de bilheteria? O grande sucesso mundial gerado por esse filme de James Cameron fez com que a curiosidade me levasse ao cinema para assisti-lo, ainda que tivesse grande dúvida sobre sua qualidade. É fato que Cameron não é e nem nunca foi um dos melhores cineastas de sua época. Filmes banais e sensacionalistas, como Terminator, Alien – O Resgate e Titanic, não figuram entre as grandes obras do cinema contemporâneo, ainda que haja controvérsias do grande público, na maioria das vezes leigo sobre a ótica das lentes cinematográficas. O resultado de Avatar: mais um desses filmes fracos e sem conteúdo, mesmo que imensamente grandioso nas suas pretensões falhas.

Um parêntese: o cinema não é mais o mesmo. Filas e ingressos comprados pela internet, a fim de criar uma maior comodidade ao espectador, retiram dos ultrapassados, como eu, a sensação de uma imprevisível sessão de cinema ao trilhar pelo comércio capitalista de um shopping, e, é claro, de um bom lugar na grande sala. Óculos 3Ds são inconvenientes e fazem com que o cinema se transforme numa forma comercial de vender a arte incomparável dos grandes mestres. A arte cinematográfica jamais será vencida pela tecnologia impressionante das lentes 3D. O cinema é muito mais do que efeitos magníficos.

Fazendo uma ponte sobre a tecnologia 3D, Avatar não nos demonstra cenas brilhantes maiores do que filmes já consagrados, como por exemplo Senhor dos Anéis, Matrix, King Kong, etc. O comercial capitalista gerado não se destaca da maneira como esperada, embora tenha um visual realmente espetacular.

O roteiro, simplista e clichê, apresenta todos os ingredientes de um filme feito para o grande público. Uma mistura de O Último Samurai e Dança com Lobos com um Rei Leão. Ou seja, nada de inovador; pelo contrário, desanimador e quase insuportável. O mundo criado pelo roteirista e diretor é digno de uma imaginação fértil, sem dúvidas. Inicialmente, a esperança pelo andar de uma obra original sucumbe diante dos tropeços de um filme já nascido para a arrecadação. Já a direção, realizada com certa maestria por Cameron (aliás, um dos únicos pontos positivos da obra), faz com que a sua falta de talento para a escrita se salve.

Indiscutivelmente, ao meu ponto de vista, impensável de ser um trabalho merecedor de prêmios. Assim, pela visão contrária, as academias só demonstram que o cinema também se vende para o monopólio/arrecadatório de Hollywood.

Mesmo que com um charme extraordinário, Avatar não vinga e não faz frente a nenhum filme com conteúdo. Simplesmente decepcionante, melhor dizendo. Uma obra falha e que demonstra o declínio do cinema arte e o nascer de uma era cada vez mais comercial, lamentavelmente apoiada por não sei quem.

Àqueles que amam o cinema, digam não a Avatar!

Avaliação: 6

 

Ficha técnica:

Avatar (2009)
Diretor:
James Cameron
Roteiro: James Cameron
Elenco: Sam Worthington, Zoe Saldana, Sigourney Weaver, Michelle Rodriguez, Giovanni Ribisi, …
Duração: 162 minutos
Site Oficial:
http://www.avatarmovie.com/

Melhores da Década!

19 Dezembro, 2009 por

Em tempos de fim de década, todos se aventuram em fazer listas sobre os melhores dos últimos 10 anos, principalmente revistas e críticos especializados. Tendo em vista essa empolgante empreitada, vou discorrer sobre os 10 melhores filmes em minha opinião. Desde já, registro que os anos 00 foram extremamente recheados de qualidade, inclusive ainda mais que as décadas passadas. O desafio é bastante complicado, eis que a arte cinematográfica é bastante pessoal. Assim, analisarei não só gostos próprios, mas qualidades indubitáveis dos trabalhos. Lá vamos então.

1 – Onde os Fracos não têm Vez (No Country for Old Men, 2007) – Irmãos Coen
2 – Ensaio sobre a Cegueira (Blindness, 2008) – Fernando Meirelles
3 – Sangue Negro (There Will Be Blood, 2007) – Paul Thomas Anderson
4 – Sobre Meninos e Lobos (Mystic River, 2003) – Clint Eastwood
5 – Encontros e Desencontros (Lost in Translation, 2003) – Sofia Coppola
6 – Bastardos Inglórios (Inglourious Basterds, 2009) – Quentin Tarantino
7 – Desejo e Perigo (Se, Jie, 2007) – Ang Lee
8 – Pecados Íntimos (Little Children, 2006) – Todd Field
9 – Dogville (2003) – Lars Von Trier
10 – O Segredo de Brokeback Mountain (Brokeback Mountain, 2005) – Ang Lee

Menções honrosas:

Os Infiltrados (The Departed, 2006), de  Martin Scorsese;
Amores Brutos (Amores Perros, 2000), e 21 Gramas (21 Grams, 2003), ambos de Alejandro Gonzales Iñarritu;
Réquiem para um Sonho (Requiem for a Dream, 2000), de Darren Aronofsky;
Abril Despedaçado (2001) e Diários de Motocicleta (2004), ambos de Walter Salles;
Cidade de Deus (2006), de Fernando Meirelles;
Kill Bill (Volumes 1 e 2), de Quentin Tarantino;
Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças (Eternal Sunshine of the Spotless Mind, 2004), de Michel Gondry;
Adaptação (Adaptation, 2002), de Spike Jonze;
Foi Apenas um Sonho (Revolutionary Road, 2008), de Sam Mendes; e
Trilogia Senhor dos Anéis (Lord of the Rings), de Peter Jackson.


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