Paul Thomas Anderson nos apresenta There Will Be Blood, uma obra-prima digna da imortalidade dos grandes filmes!

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     Quando eu comento que o ano de 2007 foi um dos mais fartos da década, eu não falo à toa. Juntamente com Onde os Fracos Não Têm Vez, Sangue Negro é um dos melhores filmes dos últimos anos.

     Diversos são os fatores que elevam esta história de Paul Thomas Anderson, gênio por excelência, a um patamar de clássico.

     Primeiramente, o roteiro, construído pelo próprio Thomas Anderson, adaptado do romance Oil!, de Upton Sinclair, hipnotiza os espectadores durante cerca de 2 horas e meia de filme, repassando uma dualidade um pouco perceptível: trata-se de uma crítica política americana ou apenas uma simples história sobre um personagem ganancioso? A resposta pode ser diferente aos olhos distintos, uma vez que o cinema é uma arte aberta, sem uma tendência absoluta e correta.

     A direção, outro ponto magnífico, é, de certo modo, perfeita. Thomas Anderson repete o talento mostrado em Boggie Nigths e Magnólia, captando toda a tensão extraída do roteiro e utilizando as atuações dos atores da maneira mais conveniente possível, num domínio sobre a história pouco vista nos demais diretores. A cena final é antológica e ficará marcada para sempre na história do cinema, sendo de um dom artístico simplesmente incrível, contudo, clara somente para alguns espectadores. O trabalho de fotografia também merece ser destacado, eis que mais da metade do filme se passa em campos de petróleo no meio do nada.

     Duas atuações merecem anotações particulares nos caderninhos dos críticos. Daniel Day-Lewis, vencedor da estatueta por esta obra, na pele do ambicioso petroleiro Daniel Plainview recoloca em xeque o seu status de grandioso ator. O próprio filme pode resumir-se à construção de seu personagem. A interpretação é tão profunda e convincente, que lembra a atuação de Heath Ledger em o último Batman. Não digo em termos comparativos, mas, sim, no sentido de até onde um ator possa realmente viver, literalmente, na pele de um personagem. Paul Dano, que já havia nos demonstrado uma bela atuação como o mudo aficcionado por Nietzsche em Pequena Miss Sunshine, representa nesta obra o papel da Igreja, como um pastor de uma pequena comunidade. A sua atuação é simplesmente espetacular, sendo um erro a sua não-indicação ao Oscar de ator coadjuvante.

     Por fim, não posso deixar de lembrar da trilha sonora, colossalmente realizada por Jonny Greenwood, guitarrista da banda inglesa Radiohead, que impõe, através dos estilhaços alucinógenos de percussão e guitarra, apreensão a cada cena que se aproxima. Às vezes, no decorrer da trama, a grandiosidade da música não é correspondida pela cena, apresentando-se como um dos pouquíssimos pontos negativos da obra.

     Assim como uma ópera, Sangue Negro possui ritmo e flui naturalmente, representando a ganância e o capitalismo da história norte-americana ou simplesmente a história de um personagem bastante peculiar, como você preferir.

     Entretanto, uma coisa é certa: haverá sangue, custe o que custar!

     Avaliação: 9,5

Ficha técnica:

Sangue Negro (There Will Be Blood, 2007)
Diretor:
Paul Thomas Anderson
Roteiro: Paul Thomas Anderson
Elenco: Daniel Day-Lewis, Paul Dano, Ciarán Hinds, …
Duração: 158 minutos
Trilha Sonora: Jonny Greenwood
Distribuição: Paramount Vantage/Miramax Films
Orçamento: US$ 25 milhões
Site oficial:
http://www.paramountvantage.com/blood/

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