Sou… ou, quem diria, Nós!

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     O vício chamado Los Hermanos está de volta, só que agora quem comanda a investida artística e agradável é Marcelo Camelo. O álbum Sou não deixa a desejar, mantendo a excelência característica de Camelo, que desde o começo da banda sempre puxou as músicas de sua autoria para o lado da música popular. Não que ele tenha se rendido à clássica Música Popular Brasileira, pelo contrário, consegue misturar estilos sem perder o foco e a calmaria que lhe é característica.

     A satisfação de reescutar músicas ao grande estilo Camelo Hermano é digna da espera desse trabalho magnífico. A mistura de sons regionalistas é presente, havendo influências de forró, folk, tropicália e marchinha de carnaval, como acontece na ótima e alegre Copacabana. A primeira música já mostra como e pra que ele veio: Téo e a Gaivota é similar ao abre alas do disco 4 dos Los Hermanos, Dois Barcos. Passando por Doce Solidão e a viciante Menina Bordada, o trabalho é um passeio suave por diversos ritmos num domínio pleno de Camelo sobre a desenvoltura do álbum e das músicas.

     Não posso deixar de engrandecer as letras que, na mesma linha Los Hermanos, trata, na maior parte do tempo, da solidão. O próprio irmão do cantor e compositor, Thiago Camelo, resume o significado das letras: “Essa ambivalência de emoções converge aqui. Tudo no mundo parece fazer parte de algo único, onde o encontro de palavras, harmonias e idéias díspares forma o que ele é: que é como ele canta.”

     Eu sei que a arte musical e cinematográfica varia pelos gostos pessoais, e destaco isso com gosto. Contudo, ninguém pode deixar de escutar, nem que seja apenas uma vez, um disco dos Los Hermanos e, neste caso, do Marcelo Camelo, de cabo a rabo com a atenção que lhe é merecida. Talvez, depois disso eu possa vir a aceitar críticas negativas sobre a banda e o músico, que possuem um estilo musical não muito audível e digerível ao primeiro contato.

     A música brasileira, de pouquíssima inspiração nos últimos anos, se rende aos pés da qualidade de Marcelo Camelo, gênio indiscutível, excêntrico e muito incompreendido por muitos.

     Entre um vício e outro, os velhinhos são bons de papo: um dos melhores discos do ano!

     Avaliação: 8,5

Ficha técnica:

Marcelo Camelo – Sou (2008)

01 – Téo e a Gaivota
02 – Tudo Passa
03 – Passeando
04 – Doce Solidão
05 – Janta
06 – Mais Tarde
07 – Menina Bordada
08 – Liberdade
09 – Copacabana
10 – Vida Doce

3 Respostas to “Sou… ou, quem diria, Nós!”

  1. Cami Says:

    Não sou a maior fã dele… e ainda não ouvi este Cd inteiro, mas gostei da musica 02…me fez pensar….

  2. Henrique Says:

    Tô loco pra ouvir o cd! Pedi pra um amigo gravar pra mim, mas, até agora, nada!

  3. Dirceu Says:

    O cd é muito bom mesmo, me pareceu muito familiar, ao mesmo tempo que se admira na obra a genialidade de Camelo, quem conhece a banda percebe que falta “um pouquinho de Los Hermanos” no álbum. Já quem não tem tanta intimidade assim com Los Hermanos, faça uma analogia à Legião Urbana e algum cd solo do Renato Russo.

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