Jogo de Vogais!

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     À pedido do autor do blog, que com muita qualidade vem analisando as expressões artísticas cinematográficas e musicais, eu, João Nunes Junior, venho oferecer algumas palavras sobre Pouca Vogal, o novo trabalho de Humberto Gessinger e Duca Leindecker…

     Aos olhares costumeiros e viciados de quem acompanha uma ideologia de músicas “fast-food”, o duo Pouca Vogal merece dois adjetivos: inusitado e surpreendente. Os fãs, cidadãos e engenheiros, certamente estão buscando em cada verso uma explicação para o que de fato sentem com a nova experiência. Os ouvidos necessitam, invariavelmente, se adaptarem ao novo estilo das oito músicas, grande parte de autoria de Humberto Gessinger, mas que parecem deixar ao horizonte o estilo de sua consagrada banda gaúcha.

     Em primeiro lugar, é necessário pontuar que a audácia do projeto – que já foi inclusive chamado de dupla sertaneja pelos pobres de espírito – traz consigo um quê de desafio, seja pelas dificuldades musicais, seja pelos preconceitos enrustidos, negativos e positivos. A ausência de um conjunto musical completo exigiu dos dois músicos arranjos que se completassem. A relação de amor e ódio por Humberto plantou expectativas: uns queriam Engenheiros, outros queriam o que criticar. O resultado foram músicas oscilantes entre a sensibilidade gessingeriana e a instrumentalidade de Leindecker.

     As letras, quase todas preponderantemente com a marca HG, trazem a corriqueira sensibilidade de quem as escreve, um músico cujo talento é pontual no que diz respeito à capacidade de sacar, de perceber, de compilar uma série de sentimentos e pensamentos em letras genuínas, simples e autênticas. Todas escritas sem riquezas poéticas, as músicas expressam tudo o que Humberto adora dizer de forma indireta, com a clara preocupação de não ser explícito, o que torna a tarefa de interpretar um exercício de leitura pelos sentidos. A riqueza da obra.

     Os arranjos trazem o que Humberto me confidenciou ser “um dos melhores músicos que conheço”. De fato, a instrumentalidade de Duca se destaca, tanto pela forma natural com que maneja os instrumentos, tanto pelo conjunto harmônico que se apresente em Pouca Vogal. Um talentoso músico, que se soma a um Gessinger talvez sem o mesmo talento, mas com a dedicação de quem não só vive da música e sim vive para a música. Um estudioso inveterado da arte a que dedica à vida.

     Uma conjugação de características que culminou em uma obra mista, com ápices e quedas, que ora me encanta, ora me assusta. Aliás, essa é a nota de Pouca Vogal: uma constante variação de vogais de interjeição: “Ahhh” “Êêêê” “Óhhh” …

     “Pra quem gosta de nós é um prato cheio!”

     Avaliação: 8

Ficha Técnica:

Pouca Vogal – Pouca Vogal (2008)

Integrantes: Humberto Gessinger (vocal, violão, baixo, piano, caipira, …) e Duca Leindecker (vocal, violão, guitarra, …)

01 – O Vôo do Besouro
02 – Depois da Curva
03 – Além da Máscara
04 – Na Paz e na Pressão
05 – Pouca Vogal
06 – Pra Quem Gosta de Nós
07 – Tententender
08 – Breve

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